
Depois de uma visita a Música Urbana e ao obrigatório papo com figuras filosféricas do ambiente, o Festival Mundo surgiu com a intenção de misturar. Nada de segmentação. Com essa fórmula o festival começou com três bandas de Metal (R.I.D., Soturnus e Dissidium). Primeira vez que vejo elas abrindo festival e tocando no mesmo dia que seria encerrado com música eletrônica. O resultado foram centenas de camisas pretas misturadas a meninas com saias e vestidos coloridos.
Das três a que chamou mais atenção foi a terceira, a Dissidium. E que segundo o assessor para acordes e goles, Jesuíno André, é uma banda nova com músicos antigos. Foi a que apresentou mais consistência. Na sequência a quebra foi visível. Do Metal para o rock básico do trio cervejeiro Cerva Grátis, com as sempre inseparáveis brejas de graça sobre o palco. Show melhor do que o realizado em Natal. Mais soltos, mais precisos. E ainda mandaram “Família Que Briga Unida Permanece Unida” da icônica indie Little Quail And The Mad Birds.
A natalense Distro teve o show dividido. Muito em função da afinação da guitarra de Rafael Cunha entre uma música e outra. Mas as músicas dos novos EPs estão melhores que nos discos anteriores, basta fazer um set preciso e sem interrupções que a apresentação flui bem. A sergipana The Baggios vem conquistando fãs por onde passa. Em João Pessoa não foi diferente. Muita gente impressionada, muitos aplausos e um show/jam que já é conhecido. Muitos riffs com bateria precisa. Devem ganhar mais festivais em breve.
A trinca final era bem eclética: Sacal (rap/hip hop), Burro Morto (música instrumental psicodélica) e Eklips, Dj Nelson e Marko 93 (música eletrônica francesa). Sacal fez um show muito bom, solto, irreverente, dançante e poderia ser o encerramento, já que o trio francês não fez melhor. E entre eles ficou a local Burro Morto, já bem conhecida pelo seu som instrumental, mas sem ser surf, sem ser stoner, sem ser pop. Já é credencial para uma audição e para outros festivais começarem a prestar atenção.
O domingo começou embassado devido a brisa deliciosa da orla de Tambaú e muitas cervejas com fava e caldo de camarão, acompanhado novamente do guia Jesuíno. Mistura explosiva. O segundo dia do festival não ficou devendo em nada ao primeiro. Do trio jovem feminino do Blue Sheep ao Mundo Livre S/A, as apresentações foram ótimas e o público foi junto. A local Blue Sheep é bem nova, mas as meninas demonstram muita presença de palco, uma segurança que as vezes parece poser, e porquê não?
Malaquias em Perigo e Nublado, também de João Pessoa, fazem um rock mais melodioso, mais pop, sem ser mela cueca. Sabem trabalhar bem guitarras e letras de forma pop, diferente de muita gente que consegue tornar a mistura indigesta. A parada entre as bandas e a mudança no line-up do festival chegou com a notícia da quebra da van que trazia AMP e Black Drawing Chalks que estavam em Natal na noite anterior. Chico Correia & Eletronic Band tomaram a frente e fizeram um bom show, para quem gosta do som. Sem muito tempo e com vontade de tocar o AMP subiu ao palco para uma saraivada de riffs, seguida de perto pela goiana Black Drawing Chalks. Ao todo lembro de sete músicas. Sem arrumação entre uma banda e outra e com os músicos se misturando ao final da apresentação. Parte do público reclamou, mas a organização tem cronograma e não tem culpa.
Fechando o festival vieram Guizado e Mundo Livre S/A, que onde vai leva um grande público. O repertório da Guizado é quase todo instrumental, o que poderia parecer com a Burro Morto. Guizado é liderado por Gui mendonça que toca trumpete e conta com uma mesa cheia de aparelhos eletrônicos. Sendo apoiado por um trio de guitarra, baixo e bateria. Foi um show hipnótico. Por fim restava a Fred e trupe comandar a apoteose. E comandaram deixando de lado as músicas chatas, arrastadas e políticas e privilegiando as mais dançantes e com outras temáticas. E tome músicas do Samba Esquema Noise, que assim como Da Lama ao Caos, completa 15 anos de lançamento. Entre “Uma Mulher com W… Maiúsculo”, “Musa da Ilha Grande”, “Super Homem Plus”, “Free Word” e “Bolo de Ameixa”, fez todo mundo dançar e cantar junto. Sem falar que nunca tive Mundo Livre tocando no meu aniversário.
O local escolhido para o festival, a Usina Energisa, é sensacional. Ao ar livre, espaçoso, com bancos e muito arborizado. Mas vizinho a um hospital, e da polícia. O resultado disso é que talvez tenha sido a primeira e última vez lá. Em meio a shows ainda foram realizadas palestrar, mostras de vídeos de terror, exposição de arte e a programação continua até o fim do mês com oficinas e outros eventos. Para quem é de João Pessoa ou está pela cidade vale a pena ir no site do evento e conferir o que ainda está por vir.
Veja algumas fotos aqui.
Eitaaaa era aniversário? parabéns gatão
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tá bem massa o texto, bem fiel mesmo!
bjs
[...] Leia a cobertura aqui. [...]
ei galado, tava comemorando tomando todas sem dizer nada!!!
putz!!
E eu, vagando por todos os blogs, corrigindo(na boa vontade, sério mesmo) que SACAL não é rap/hip-hop, e sim RAGGA.
=)
Porra, Hugo/Jesuíno,
Não consegui chegar pra cerveja com vc e Jesus, tinha chegado de viagem e tinha mais gnte da família chegando tava embaçado pra mim. Na próxima acompanho vcs na cerva e no rock ! Muito lgl o txt, Sacal tá crescendo msm.
Abs
Bacana o texto!
E ai Hugo, beleza teu texto sobre o festival e parabéns pelo aniversario.
Abraço
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