
Há quem diga que João Pessoa é Natal há dez anos. O fato é que em João Pessoa existe loja de quadrinhos e de discos. Isso por si só já atiça a vontade de conhecer a cidade. Quer mais uma boa opção para instigar a ida a capital da Paraíba? O Festival Mundo, que ganha força com uma programação que se extende por quase um mês e não fica apenas na música. As artes estão integradas: música, artes plásticas, cinema. Isso é retrocesso? É evolução. Entre as atrações do festival sempre tem uma banda potiguar. Este ano a felizarda é a Distro, que mostrará lá o Chocolate With Pepper, EP duplo lançado recentemente.
Nesta edição do festival os bate-papos serão entre Pablo Capilé, Chico Correa e Rodrigo Barbosa, falando sobre o projeto Música Para Baixar, no sábado. E Fabrício Ofuji, produtor do Móveis Coloniais de Acaju conversará com Paulo André, do Mundo Livre S/A e Abril Pro Rock. O assunto será autogestão e como trabalhar no mercado independente. Os shows este ano serão na Usina Cultural Energisa, no centro da cidade.
A dupla a frente da empreitada sempre trabalhosa é Rayan Lins e Carol Morena. Leia abaixo uma pequena entrevista com Carol para conhecer mais do festival.
[O Inimigo] – O festival esse ano cresceu em todos os sentidos, a programação abrange quase um mês de atividades. Há público para isso em João Pessoa ou vocês ainda trabalham a formação dele?
[Carol Morena] – Existe publico em João Pessoa sim, mas é um publico complicado. Não é um publico que pagaria o nosso ingresso (barato) pra conhecer 9 bandas novas numa noite, por exemplo. É um publico que até pode topar isso, mas só se tiver algumas bandas que ele conheça, que saiba cantar as músicas. Trabalhar a formação a gente sempre trabalha, e acredito que esse ano o nosso público tenha crescido muito, tanto pelas nossas atrações quanto pela abrangência delas. Estamos juntando vertentes, é um festival de música e arte, não só de rock.
Nos anos anteriores o festival sempre acontecia paralelo a outro próximo, isso ajudava a diluir gastos em trazer as bandas? Esse ano foi mais complicado por estar num fim-de-semana isolado?
Na verdade isso pra gente nunca funcionou. Infelizmente nunca tivemos um festival no nosso fim de semana que nos facilitasse alguma atração. O que fizemos nesse ano foi puxar alguns artistas e incentivar que eles fechassem shows nas cidade próximas, mesmo sem ser festivais, e isso ajudou sim a baratear os custos.
Entre as ações dos festivais existe a co-existência com outras formas de arte. No Mundo o que você destaca da programação não musical?
A nossa exposição de arte está maravilhosa! A vernissage foi no ultimo dia 24, sucesso absoluto e, com certeza, ela é um dos pontos altos da nossa programação. A curadoria de FabbioQ sempre acerta em cheio e tem a missão de dar a cara da nova produção artística da cidade, e isso ele faz muito bem, num trabalho que já dura 4 anos com a gente. Nossa mostra de vídeo também está imperdível, só com curtas de terror nacionais e internacionais. Além, claro, dos debates, sempre as 14h dos dias 3 e 4; oficinas e palestras, que este ano estão atreladas a Feira do Empreendedor do SEBRAE, que está acontecendo na cidade neste fim de semana. Nossa parceria com a Feira do Empreendedor também se dá nos stands que montaremos no festival, formando a Feira do Empreendedor Cultural e juntando 12 pequenas empresas ligadas a cadeia produtiva da música.
O tamanho que o festival adquiriu está bom, ou vocês ainda pretendem crescer mais?
Estou satisfeita com o nosso tamanho, mas não estou satisfeita com o nosso orçamento. Fazemos ainda mágica aqui pras coisas acontecerem. Mesmo com 5 anos de festival e correndo atrás, nosso maior desgaste, indiscutivelmente, é na captação de recursos, sempre muito complicada por aqui. O festival é reconhecido em todos os lugares que vai, de orgãos públicos a empresas privadas, mas isso não é suficiente. As empresas aqui ainda tem muito medo de arriscar, e os orgãos públicos, mesmo reconhecendo o projeto, são tão burocráticos e protelam tanto as respostas que ficamos inseguros até o último momento, o que atrapalha muito o processo de pré-produção. Não paramos de correr atrás por nem um minuto, se não a coisa não anda.
Foto: Rafael Passos
Confira a progamação do Festival Mundo 2009
Sábado (3 de outubro)
R.I.D. | PB
Soturnus | PB
Dissidium | PB
Cerva Grátis | PB
Distro | RN
The Baggios | SE
Sacal | PB
Burro Morto | PB
Eklips, Dj Nelson e Marko 93 | França
Domingo (4 de outubro)
Blue Sheep | PB
Malaquias em Perigo | PB
Nublado | PB
AMP | PE
Black Drawing Chalks | GO
Chico Correa & Eletronic Band | PB
Guizado | SP
Mundo Livre S.A. | PE
Mais informações: Festival Mundo
Alexandre Alves falou que o lugar é paraíso total!! hauahuahua com boas árvores e espaço amplo!! vamos conferir esse cantinho ae!! hehehh
São cidades irmãs! Em (quase) tudo. Sem essa diferença de tempo.
E no meio do caminho ainda tem Pipa, BF, Camaratuba e Baia da Traição. Eis o limite do paraíso…
Eu prefiro jampa
“A vida é boa / à beira-mar em João Pessoa”, eis o refrão de umas das canções do Madalena Moog, uma das trocentas bandas que fazem parte da cena pessoense. Concordo com Dimetrius: eu prefiro Jampa, vou morar aí um dia, só tomara que não demore muito. Enquanto isso, melhor todos irem conferir o FESTIVAL MUNDO.
Eu também espero morar ai um dia. Eita cidade gostosa da porra. Jesuino e aquela cerva lá no Jacaré… tem que rolar. Vida longa ao Fest. MUNDO
Por Equipe O Inimigo em 18/08/2010
Foto: Rebeca Correia No futuro, quando os biógrafos da cena local forem situar a terceira onda do rock natalense (netos da época das domingueiras psicodélicas do Impacto Cinco, filhotes tardios do Mangue Beat, Raimundos e General Junkie, aditivados por Los Hermanos, Radiohead e o boom do indie via web) certamente haverá um capítulo de honra [...]
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Por Equipe O Inimigo em 09/08/2010
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