Quatro anos talvez não seja muita coisa no tempo real, mas em “anos de festivais” simboliza aquela idade em que uma iniciativa precisa reunir os acertos e os erros de sua trajetória e tentar se reinventar e expandir suas ações. Esse é o pensamento do produtor Anderson Foca e do Centro Cultural DoSol que nos dias 01 e 02 e 11 e 12 de novembro, realiza a quarta edição do Festival DoSol, em Natal.
Em 2008, o Dosol retorna ao formato testado e aprovado no ano passado, com 27 bandas se revezando em dois locais de shows na Rua Chile (o Armazén Hall e o próprio DoSol Rock Bar), além do acréscimo de dois “espaços de convivência” para a imprensa, bandas e público , nas duas primeiras datas do festival. Já nos dias 11 e 12, a história se transfere para a Casa da Ribeira, onde mais cinco atrações se apresentam dentro do circuito DoSol Música Contemporênea, dedicado à música instrumental e experimental, com entrada gratuita.
Toda essa movimentação, armada principalmente graças à inclusão do festival no edital Oi Futuro, não vai passar em branco. A principal novidade do DoSol 2008 é a produção de um registro em DVD de todas as ações do festival. Pensando nos moldes dos vídeos do circuito de shows Vans Warped Tour, que costura as apresentações musicais com entrevistas curtas e cenas paralelas aos palcos do festival, a iniciativa pode ser vista como um passo a frente nos documentários institucionais e vídeo-releases que a DoSol Image, braço audiovisual da produtora, vem produzindo há algum tempo. “Sempre registramos o festival em vídeo, mas ás vezes dá aquela sensação de que você fez muita coisa, mas não tem nenhum registro nas mãos pra lembrar aquilo. Então, dessa vez o plano é eternizar a coisa”, afirma Foca.
“Acredito que um registro desse tipo hoje é essencial para uma banda poder disseminar seu trabalho. Por isso, a DoSol Image teve que evoluir muito rápido, para poder acompanhar essa tendência”, completa.
Para executar a idéia, foram convocados produtores independentes do áudio-visual potiguar, além do estúdio goiano RockLab, para cuidar do áudio das performances ao vivo. “Quisemos trazer pessoas que tenham uma linguagem próxima do festival”, aponta Foca. “E isso é ótimo porque rola uma troca de experiências entre nós e eles. É também um aprendizado”.
No saldo final, cada banda vai sair com uma música registrada no DVD, além do recorte em áudio e vídeo da apresentação para disponibilizar e divulgar da forma que bem entender. No caso das bandas locais, o registro vai valer como cachê do festival. Antes que a nuvem da polêmica se levante novamente, Foca esclarece com uma matemática rápida.
“O máximo que poderíamos pagar de cachê para uma banda local seria algo em torno de R$500 o que, convenhamos, é um puta cachê aqui em Natal. Mas ao invés disso a banda vai receber um registro em vídeo e áudio feito de forma profissional. Se essas bandas fossem pagar por um serviço desses, com a qualidade que estamos oferecendo, não tenha dúvida que sairia bem mais caro”, afirma.
Apesar das boas intenções, ainda não há a garantia de que todas as bandas da escalação do festival irão participar do vídeo. Alguns grupos que pertencem a selos maiores precisam resolver eventuais liberações contratuais antes de terem a participação confirmada.
Depois do festival, a expansão do Centro Cultural DoSol prossegue em 2009. A produtora é uma das iniciativas culturais inscritas no edital dos novos Pontos de Cultura do RN. O edital, desenvolvido pelo Ministério da Cultura e Governo do Estado por meio da Fundação José Augusto, concede uma verba de R$ 180 mil para que ações culturais envolvendo Arte e Educação, Cidadania com Cultura e Cultura com Economia Solidária com pelo menos dois anos de atuação continuem por mais três anos.
Atualmente, o estado conta com 12 Pontos de Cultura em atividade em todo o território. O novo edital vai criar outros 53, sendo 10 em Natal.
Caso o DoSol seja aprovado – e como o próprio Foca analisa, as chances são boas – passará a oferecer cursos e oficinas permanentes de vídeo e música, palestras regulares sobre produção cultural, além de uma iniciativa inéditas em terras potiguares, na qual uma banda poderá apresentar um projeto de show a curadoria da produtora e, caso seja aprovado, receberá a pauta do bar para realizá-lo, de graça.
“Isso é parte de uma mudança filosófica pela qual o DoSol vem passando. É um crescimento que, para a gente, é viável e natural”, sentencia Foca.
* Reportagem: Alexis Peixoto e Hugo Morais
*Foto: Kênia Castro
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