
De todas as vertentes e ramificações do rock, talvez nenhuma seja tão repetitiva quanto o hard rock. Desde os primórdios do estilo, pouca gente saiu da fórmula básica verso-refrão-solo-refrão-fim. Tem funcionado assim há mais de trinta anos e as boas bandas do estilo são justamente aquelas que priorizam criatividade, não inovação: não se trata de quantas facas você pode fabricar nos fundos da cela, mas sim de como você pode aproveitar as que já estão a mão para cavar um túnel e fugir da prisão.
Dito isso, cobrar originalidade do Flaming Dogs em seu EP de estreia é, no mínimo, falta de estudo ou espírito de porco de sobra. Ainda que o riscado seja conhecido, The Flames Went Higher é uma das bolachinhas mais auspiciosas a ser desovada de estúdios potiguares nos últimos tempos. As influências, claro, são os dinossauros obrigatórios de sempre, mas também passam pelos patrícios que honram a camisa do estilo (MQN, Black Drawing Chalks, Forgotten Boys) e por nomes tarimbados em anos recentes (Hellacopters, Datsuns, Motosierra).
São apenas três faixas que pouco fogem ao esquema tático debulhado no primeiro parágrafo, mas nem por isso envergonham a banda ou o ouvinte. Conscientes das próprias limitações, os Flaming Dogs cantam em inglês, não ligam muito para letras (o velho trinômio mulher-birita-metáforas químicas dá o tom), mas investe bem em riffs e refrões ganchudos, com um senso de melodia bastante seguro para uma banda com pouco mais de um ano de estrada.
Um exemplo bom é “Addicted”: de refrão forte, mas quase risível (“Feel so addicted/And so alone”), é puxada por uma levada reta e compacta, com um breve final falso psicodélico de fazer Fabrício Nobre molhar os olhos de emoção. “Come With Me” também não faz feio e cruza a guitarra burra e minimalista de Angus Young com o boteco glam do Slade. “The Flames Went Higher” é boa, mas é a mais fraca do pacote: nessa faixa fica clara a semelhança forçada entre os vocais do baixista Joseph e os de Victor Rocha, do Black Drawing Chalks. E é justo aí que mora o problema.
Embora seja inegavelmente um grupo talentoso, o Flaming Dogs ainda carece de uma identidade própria que o distinga – para o bem ou para o mal – do porrilhão de bandas semelhantes que assolam tantos festivais independentes Brasil afora. As possibilidades são muitas e não há nada que uns shows, alguns discos e mais algumas horas de estúdio não resolvam. Por enquanto, fica o mérito de ter estreado de forma suficientemente competente para criar alguma expectativa pelos próximos capítulos.
Quem quiser nos ouvir:
http://www.myspace.com/flamingdogs
dô mô valor a isso!!!
das melhores revelações do rock potiguar desse ano!
muibom.
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