
Existe uma lacuna enorme para preencher o termo pop. O popular pode ser aquele rock com letra rasa, uma música romântica, pobreza na composição sonora e até termo para designar todo o contrário, caso de Michael Jackson que revolucionou a música com tal rótulo.
Grandes bandas como Beach Boys e Beatles faziam música pop e estão entre as melhores de todos os tempos. Letras, arranjos, vocais, tudo era bem pensado para que a música soasse única. As influências ficam claras, mas não são comuns. Prova que influenciam bandas até hoje como a Daysleepers, banda de Aracaju, que passeia pela sonoridade das duas sixties citadas, trazendo junto a preocupação com as melodias vocais, instrumentais e letras. Uma banda nacional nova que pode ser comparada com eles é a Supercordas, já entre os gringos cabe comparação com a Fleet Foxes.
Para buscar um som mais elaborado, Arthur Matos, Rafael Eugênio, Fabrício Rossini, Ravy Bezerra e Wesley Soares usam instrumentos como violão, percussão, teclados, trompete, bandolin, glockenspiel e o tradicional trio: guitarra, baixo e bateria. Como tudo isso se soma para dar cara as canções? Arthur Matos [vocal, violão e percussão] explica: “As harmonias vocais são o primeiro foco para o nosso som. Sempre que componho penso também nas harmonias para as canções e a parte instrumental costumamos trabalhar em conjunto, buscando o melhor timbre, o melhor instrumento para determinada canção”. A banda tem um EP [Tempo] gravado e pretende até o fim do ano lançar um álbum.
O cenário musical lá em Aracaju, terra também do Snooze, não é muito diferente do que existe em Natal e demais cidades, os problemas são os mesmos, e as soluções também. “Aracaju está começando a voltar mais forte com uma cena autoral. Há uns 7 anos a cena aqui tinha uma fluência bacana. O público se interessava, haviam lugares para tocar, desde inferninhos até casas e shows maiores, rolava um circuito interessante. Havia também festivais como o Punka e o Rock-SE. Mas com o tempo os lugares foram deixando de existir. Mas de uns dois anos para cá as coisas estão começando a se restabelecer novamente, apesar dos espaços serem poucos ainda. O Capitão Cook, que é um bar aqui da capital, está recebendo esse circuito alternativo. Os produtores não fazem mais shows, não se movimentam. Mas a gente resolveu se mobilizar, organizar shows, fazer a coisa ganhar corpo”, esclarece Arthur.
A mesma necessidade de fazer os próprios shows impulsionou a banda a tocar fora de Aracaju. Uma das soluções pensadas foi uma tour conjunta entre três bandas de estilos distintos e que os músicos são amigos. Plantada a idéia, as bandas ainda contaram com a ajuda de Dimmy [Vendo 147], como esclarece Arthur: “Tivemos a idéia da turnê em janeiro e desde o começo pensamos em fazer um lance juntos [Daysleepers, The Baggios e Elisa]. Foi aí que Dimmy soube do projeto e entrou no projeto nos acessorando, conversando com produtores e tudo mais. Também fizemos três shows mensais em Aracaju para arrecadar dinheiro para os custos da turnê. Os shows contaram com bandas convidadas desde a Plástico Lunar, passando pelos covers do The Doors e Mutantes, e contando também com a ajuda da Nautilus, Cabedal e Irmãos da bailarina [BA]“.
A turnê que começou com uma idéia inocente, terminou ganhando força e mostra o que Aracaju tem: boas bandas de estilos distintos. Depois que passar por RN, PB, PE e BA a Daysleepers encerra a tour de volta a Sergipe e começa a gravar o álbum. Rompida a barreira nordestina a banda cogita ir ao sudeste no iníco de 2010, mas por enquanto é apenas uma idéia.
Baixe o EP Tempo aqui.
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Grande banda.
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