Artista Igual Pedreiro, debut do Macaco Bong, pode ser considerado um novo clássico, uma das melhores coisas a surgir da música brasileira em tempos recentes. Sem demagogia aqui. Se ouvir o álbum não for suficiente para te convencer (e deveria ser), pense nele como o primeiro registro saído do “mercado independente” a receber o aval da crítica, na lista de melhores de 2008 da Rolling Stone Brasil e no prêmio da Bravo!. Ou faça um esforço de memória e tente lembrar quantas bandas instrumentais faziam figuração na programação dos festivais antes da ascensão do trio de Cuiabá. Disco bom é assim: já vem com herança nefasta.
Todo esse turbilhão foi há um punhado de anos, mas parece que faz uma década. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu com o Macaco Bong. Mesmo acumulando a função de cabo eleitoral do Fora do Eixo, a banda continua tocando em tudo quanto é canto, recebendo carícias da imprensa e juntando indie cred (ou seriam Cubo Cards?) suficientes para bater um fio para Gilberto Gil e convidá-lo para uma jam, numa boa. Todas essas atividades garantiram aos caras um assento confortável no topo da pirâmide demográfica dos independentes e lá estão, até hoje. Desnecessário dizer o quanto isso faz aumentar a expectativa pelo material inédito que o grupo vem pingando ocasionalmente em shows, mas reluta em registrar em disco.
Numa postagem feita em junho no site da banda, os integrantes avisaram que o sucessor de Artista Igual Pedreiro “ainda está longe de chegar aos ouvidos” dos fãs, mas “já existe”. Seja lá o que isso queira dizer, fato é que há algo acontecendo no estúdio do Macaco Bong. A prova é a desova de Verdão e Verdinho, EP com três faixas que funciona como um aperitivo do que pode ser o segundo álbum do grupo. É pena que a decepção pela bolachinha seja diretamente proporcional à expectativa.
Em Artista, o grande mérito era fundir linguagens antagônicas (pós-rock, fusion, hardcore) e criar uma indentidade própria. Faixas como “Amendoim”, “Black’s Fuck” e “Noise James” moviam-se de um trecho a outro e mesmo sem linhas vocais, pareciam realmente dizer algo. No EP novo, todo esse poder de fogo é diluído em arranjos pedestres e monótonos. “Japabugre”, “Morango Tango” e “Quero Quero” soam como uma única faixa, longa e sem atrativos. Repletos de dedilhados preguiçosos, os temas seguem sem rumo e às vezes até mostram indícios de que algo está prestes a acontecer. Mas antes que um monolito se erga acima da pasmaceira, a banda puxa a tomada e cai de novo no tédio. Ainda assim, não são composições propriamente ruins, apenas comuns. Tudo o que fazia o Macaco Bong se destacar de seus pares instrumentais está ausente aqui. Se antes a música da banda soava ousada e vigorosa, nesse EP está enterrada na vala comum junto ao cadáver de trezentas bandecas iguais e pouco inspiradas.
Talvez o problema não seja as faixas em si, mas a embalagem. Integradas ao repertório de um disco de longa duração, talvez até funcionasse melhor (o que não quer dizer que a vontade de pular para a próxima deixasse de existir). Mas empacotadas como um produto separado, só surte o efeito retrógrado de aumentar a vontade de tirar Artista Igual Pedreiro da prateleira.
Na sequência, confira o Macaco Bong tocando “Japabugre” (aqui grafada como”Djapabugre”) no programa Ensaio da TV Trama.
Achei a mesmíssima coisa.
Cada música dos caras é um sentimento diferente, uma composição pra te fazer sentir algo.
Exigir sempre o mesmo de um artista é a maior bobagem que se faz hoje em dia. Artistas são pessoas, pessoas são orgânicas.
Todas músicas deles pra mim são ótimas!
Me lembrou um pouco a Toe, mas realmente soa repetitivo em alguns momentos. Eu gostei muito de apenas uma das faixas e tem uma outra que eles tocaram no trama (e colocamos linkado com o Verdinho verdão no hominis que é bem legal tambem, Choco alguma coisa).
Mas tem certa razão sim, principalmente se for levar em consideração o artista igual a pedreiro, um discaço.
Ainda não ouvi esse Epzinho do comentario… tô conferindo a música do vídeo acima, postado junto com a matéria, e tô achando bem legal. Realmente não tem o “punch” das músicas do primeiro disco, mas possue um total sentimento de liberdade e movimento. Acho que refletem bem o momento que a banda ta passando, viajando muito, conhecendo novos horizontes, etc.
Jovens ouçam #SOAD, música nova (que deve ser em homenagem ao system of a down), que vai entender que “verde verdinho” é uma bonança. E que virá outra tempestade de guitarras, baixo e bateria pulsantes.
Para mim ambos são fracos, e as pessoas tão começando a sacar. Sair na Rolling Stone Brazil não quer dizer nada, já que existia uma benevolência da crítica e dos jornalistas para com a banda e o projeto que ela abraçava (Visto José Flavio). Hoje cairam na desgraça aos olhos dos “formadores de opinião”. É uma banda datada a ser enterrada de vez…é só jogar o cimento.
quem sabe não era isso que queriam? mostrar pra galera rockeirassa demais que não era bem assim que eles queriam ser vistos?
gosto muito dessas músicas, principalmente djapabugre. a linguagem parece um pouco mudada, mas temos que tentar sacar qual a proposta dos caras, antes de xingar. eu não sou o maior fã desse EP também, sinto falta das explosões. mas fazer 3 músicas sem isso não significa que deixaram de lado, só tão explorando a diversidade. (que é muito válida)
eu curti. eles tocam aqui nesta quinta, 20h na casa da ribeira. 5merreis
Agora sim está melhorando… Parabéns Macaco Bong!
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