Domingão no Festival DoSol é aquela história: vá, mas não chame aquele seu primo fã d’ A Banda Mais Bonita da Cidade. Dia reservado para as atrações mais – ahem – pesadas, não faz feio na bilheteria e costuma atrair tanto público quanto no Sábado Censura Livre. Na programação desse ano, a coisa até que ficou bem distribuída. O metal e o hardcore ainda predominam, mas tem também country, rockabilly e até música de despacho.
Continuando o nosso guia com as atrações do festival, dissecamos o pessoal que toca na domingueira révi, pra não correr risco de você entrar por engano no show do Krisiun achando que é o Clowns de Shakespeare fazendo uma releitura de Conan.
Eis os eleitos:
Quem: Antiskieumorra (RN)
Com uns oito anos nas costas, o Antiskieumorra já é bem conhecida nos palcos da cidade. Hardcore ortodoxo – como eles próprios se definem – é quase uma banda retrô, dos tempos em que Natal tinha uma banda vegan e um boteco punk em cada esquina. Não temos muitas saudades dessa época, mas esses caras justificam sua existência com shows intensos e petardos como “Abadá Maldito”, “Sopa de Osso” e “Péda”.
O que esperar: Um serviço de closed caption que ajude a entender as tais letras “sarcásticas” da banda prometidas no release.
Quem: Los Costeletas Flamejantes (RN)
Curte rockabilly, rock’n roll à 50′s, biriba, bailinho, topete, etc? E bola gato? Então se programe para chegar cedo e pegar o show dos Costeletas, que toca no começo da tarde na domingueira do DoSol. Conhecida das bibocas da cidade, a banda ainda está devendo um registro autoral (ao que tudo indica, sairá via Projeto Incubadora do DoSol), mas deve aproveitar a oportunidade para mostrar ao vivo e à cores sons de lavra própria como “Broto, Deixe de Beber”.
O que esperar: A boa vontade da organização do festival em botar a cerveja pra gelar cedo.
Quem: Sunset Boulevard (RN)
Percam as esperanças, rapazes cultos: o nome da banda não é uma referência ao filme de Billy Wilder. Negócio aqui é hard-rock assumidamente oitentista e farofa, filhote de Bon Jovi, Mötley Crue e Guns’n Roses (mas também rola um Ratt). Em junho desse ano lançaram o álbum Malibu (A Way of Life), um tratado sobre o rock festeiro e de solos aeróbicos, como o título já entrega. Tá rindo, é? Pois saiba que o disco ainda inclui outras faixas singelamente intituladas “Lights N’ Spotlight” e “There’s Nothing Without Trust”.
O que esperar: Um flashmob do fã clube de Bret Michaels durante o solo de “Malibu”
Quem: Conquest for Death (USA)
Cumprem a cota de (veteranos) gringos respeitados do DoSol ’11. Lenda viva do hardcore americano estão na ativa desde (fins dos 70′s) 2006. Tocam também em Mossoró e aproveitam para fazer a alegria dos fãs daqui e de lá que achavam que nunca iam ver um show deles na vida. Mas para quem acredita nesse negócio de underground, tudo é possível. Independente do conhecimento de causa da discografia da banda (e é extensa!), tem tudo para ser um show histórico. Ou ser vendido como tal.
O que esperar: Maré de emoções da galera core-core. E uns protestos contra o Sistema que ninguém é de ferro, né?
Quem: Madame Saatan (PA)
Calypso com Metallica. Deftones com Mestre Viera. Todas as piadas sem graça e clichês valem para definir o som do Madame Saatan (e nós já fizemos todas antes), que une trash metal, carimbó e lundu na mesma palhetada. A mistura não é de todo estranha aos ouvidos potiguares: a banda já tocou aqui no MADA em 2007, divulgando o primeiro disco, homônimo, vencedor do Dynamite de melhor álbum de heavy metal de 2008. Agora, o quarteto traz na bagagem o recém-lançado Peixe Homem, cujo primeiro single, “Respira”, já tem vídeo rolando na MTV e no YouTube.
O que esperar: Uma banda de rock como qualquer outra. Mas com “um tantinho assim” de carimbó
Quem: Hillbilly Rawhide (PR)
Um sexteto curitibano que se empenha em recriar a música country americana. Achou bizarro? Pois fique sabendo que esses figuras levam a coisa a sério: chapelões, baixolão, piano, violino e coletes de couro.Trilha sonora ideal para tirar a poeira da sua coleção de Tex e… mais nada. Têm tempo de estrada e discos suficientes para angariar fãs em todo o território nacional. Além de nunca terem tocado em Natal, desembarcam aqui pela primeira vez com disco novo na bagagem, Lost and Found.
O que esperar: A expectativa varia entre um Sergio Leone e um episódio de Bonanza. Quem viver, verá.
Quem: Guachass (URU)
O mais óbvio seria comparar as uruguaias do Guachass às americanas do The Donnas (fantasma do DoSol passado). Mas o buraco é mais embaixo. Embora as duas bandas tenham pontos em comum – e não falamos apenas do Cromossomo X, já que tem um macho infiltrado no Guachass -, um estudo de caso da discografia das hermanas deixa claro e evidente um punhado de outras influências, do peso sabbathiano à porrralouquice dos Stooges. Não é a reinvenção da roda, mas não chega a ser um terror.
O que esperar: Umas cuecas atiradas da platéia para o palco.
Quem: Monster Coyote (RN)
Stoner Rock made in Mossoró. Se isso não é o bastante, vamos aos pormenores: o Monster Coyote é um spin-off do Pumping Engines (que, por sua vez, derivava do Brand New Hate). Mas ao contrário das suas encarnações anteriores, o Coyote é mais conciso e firme em seus própositos. Stoner to the Boner, o disco de estreia lançado no primeiro semestre desse ano, não fica a dever nada ao que de melhor se produz no estilo. Aqui ou lá fora.
O que esperar: Dizem que em Mossoró dá pra fritar um ovo na calçada em dia nublado. Se a regra valer pro palco, dá pra esperar no mínimo uma omelete gratinada.
Quem: Violator (DF)
Saca thrash metal? É isso, mas sem os adicionais desnecessários (leia-se calça de couro, cinto de bala e Marty Friedman). Entre EPs, splits e álbuns próprios contam com oito lançamentos, o mais recente sendo Trashing the Tyrants, dividido com a Bandanos e lançado ano passado. Já tem quilometragem suficiente por outros festivais brasileiros, além de turnês elogiadas por França, Paraguai, Japão, Bélgica e Itália. Quem viu, garante a qualidade.
O que esperar: Só restará a opção de bater cabeça ou morrer tentando. Vá treinando com essa videoaula.
Quem: Sanctifier (RN)
Embora seja pouco conhecida do “grande” público frequentador de shows de Natal (quem?), o Sanctifier tem uma carreira respeitada dentro do circuito headbanger. Já tem tanto status de veterana que se deu ao luxo de dar um tempo na carreira e voltar, com status de cult. Awaked by Impurity Rites, primeiro disco do grupo, é um álbum conceitual inspirado nos contos de H.P. Lovecraft e tem ganhado elogios das pessoas certas, nos lugares certos.
O que esperar: O chamado de Cthullhu. Ou da fila da cerveja, o que vier primeiro.
Quem: Krisiun (RS)
Verdadeira instituição do metal, o Krisiun inspira até um clichê futebolístico: já entra em campo com o jogo ganho. São oito álbuns oficiais, mais um punhado de EPs, todos chancelados com quantas estrelas (ou caveiras ou pentagramas) a crítica tiver a disposição. O álbum mais recente, The Great Execution, conta com participação de João Gordo e está marcado para sair na Europa no final de outubro e na América do Norte, no começo de novembro. Detalhe: no Brasil, sem previsão.
O que esperar: Na altura do terceiro show de metal da noite em sequência, só resta sentar e esperar a quarta besta do Apocalipse.
Quem: Galinha Preta (DF)
A princípio, pode parecer mais uma banda de grind/hardcore. Mas basta uma ouvida no som dos caras para constatar que é só impressão. O trunfo do quarteto brasiliense é reescrever os mandamentos básicos do estilo com a adição de bases eletrônicas. O resultado pode ser qualquer coisa, menos lugar comum. Pergunte aos gringos: o disco mais recente deles, Ajuda Nôis Aê! saiu pelo selo japonês Karasu Killers, meca do barulho universal.
O que esperar: Lembra da besta do Apocalipse que faltava? Chegou.
Quem: Dead Fish (ES)
Depois de algumas aparições como banda menor, o Dead Fish volta ao DoSol na condição de headliner. O status de mainstream indie (contradições do mercado brasileiro) já é uma constante na carreira do grupo desde que participou do Projeto MTV Apresenta, em 2004. Daí pra frente, só restou vestir de vez a carapuça de banda consolidada sem (muito) prejuízo à imagem junto aos fãs. O disco de estúdio mais recente é Contra Todos de 2009, o décimo da carreira.
O que esperar: A reação do freguês depende muito da faixa etária. O humor pode variar de ojeriza extrema à gritos histéricos de prazer.
Cara, o domingo é inferno na terra, 1 semana depois e o zumbido ainda vai tá no ouvido.
E só pq eu acho que vc nunca viu um show do Galinha Preta e nem conhece o “crooner” Frango em ação, vou avisando: NÃO PERCA ESSE SHOW! Depois não diga que eu não avisei.
ahahahahaha
Esperando a muuuuito tempo Madame Saatan !!!
ei seus azedinhos. o conquest for death é de 2006, não é do final dos 70′s não! e o link pro myspace deles está errado também! hehehe
Corrigido, chefia! Assumimos o vacilo. Acreditamos que o motivo da confusão tenha sido isso => http://velhaescolanovaescola.blogspot.com/2009/09/necros-conquest-for-death-lp-eps.html
“…pra não correr risco de você entrar por engano no show do Krisiun achando que é o Clowns de Shakespeare fazendo uma releitura de Conan.”
Putz!!
Hehehehe, massa! Vamos contratar alguém pra fazer esse closed caption ao cores e a vivo, no esquema de Subterranean Homesick Blues… Mas sensacionante mesmo vai ser esse show do Conquest em Mossoró, quero ir.
“Saca trash metal?”
Natal vira pólo nacional de shows, José Sarney morre, o Metallica pára de pensar em dinheiro, o mundo acaba e ainda vai ter gente escrevendo thrash metal errado.
Magoou.
hahahahahahaahahahahahhaaahhahaha
Los Costeletas Flamejantes… uma merda! Vi tocarem no Hell’s uma vez. Quando tocara Ace of Spades, tive vontade de agarrar a guitarra e quebrar na cabeça do vocalista! hahahah
Depois do pagodão de domingo, é Rock na cabeça!
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