A programação do Festival DoSol 2011 já está na rua desde o dia 21 de setembro e desde então, as apostas sobre os shows mais esperados já dominam os papos nas melhores mesas de bar da cidade. Sem querer influeciar a jogatina, é inegável que a programação desse ano é a mais diversificada da história do festival.
Sem as cartas marcadas que batiam ponto todo ano (e, francamente, não acrescentavam nada), o Dosol 2011 acertou ao priorizar novas bandas da cena local e nomes nacionais que nunca ou pouco tocaram por aqui. Nas 32 atrações, tem para todos os gostos: de trash metal à carimbó, de hard rock farofa à country rock.
Para os incautos, preparamos um quem-é-quem esperto para ninguém passar mal na avenida. Começamos pelo sábado, dia tradicionalmente reservado à experimentação no cardápio de estilos e vertentes.
Vamos a elas:
Quem: Hey Apple (RN)
A banda é da nova safra do rock local e, como tal, pega o rojão de abrir o festival. Poucas informações disponíveis, algumas músicas para audição. O mais importante é: indie rock. O que um dia foi um diferencial, hoje não passa duma incógnita. As músicas disponíveis são pops e levam do folk até a um alegre The Cure. Aquela pegada oitentista que combina com a capa fofa do EP. Quem está de bem com a vida deve gostar. A formação mudou e no twitter da banda avisaram que vão tirar fotos dela.
O que esperar: All Stars e calças coloridas, uma camisa por dentro da outra. E quem sabe, pra completar o visual indie, cabelo desarrumado milimetricamente e comportamento bipolar.
Quem: Dessituados (RN)
Mais uma da nova safra, mas que vem participando de alguns eventos mais undergrounds em Natal. Se é que isso ainda existe. Banda punk, mas nos moldes mais recentes: músicas bem trabalhadas, guitarras limpas, nada de roupas rasgadas ou atitudes erradas. Tudo no devido lugar, tal qual as letras que falam do cotidiano, bem como de relacionamentos pessoais.
O que esperar: Tímidas rodas de punk que se desmancharão ao perceber que o som tá mais pra pop do que pra rock.
Quem: Planant (RN)
Levando-se em consideração que as bandas por essas pairagens não duram muito, a Planant é quase uma veterana. Quase 3 anos na ativa e já tocaram no Festival DoSol, na edição 2010 do Música Contemporânea. Lançaram em 2011 disco pelo selo PopFuzz Records, tocaram na edição 2011 do Festival MADA (RN) e em algumas cidades fora de Natal, dentro do Grito Rock. Não tem como ouvir a banda e não associar ao U2, muito até pelo vocal de Rodrigo Takeya e pelas letras em inglês.
O que esperar: Ativistas da causa GLS-ambiental pedindo cover de U2.
Quem: Os Inflamáveis (RN)
Quarteto que acredita no velho e bom rock’n'roll, com uma pegada mais pop. Aquele dos primórdios. Já tocaram por praticamente todos os possíveis locais que aceitam o rock em Natal. Como a influência é cigarro e bebida, a esperança é que eles entrem no mundo mais garageiro e psicodélico e com mais experiência saiam do rock inocente para o adulto com mais atitude.
O que esperar: Passinhos sessentistas encabulados na pista entre uma cerveja e outra.
Quem: O Sonso (CE/SP)
Influenciados declaradamente por música popular com gosto pelo brega. Pode ser muito bom, pode ser muito ruim. Pra não arriscar, o som é pop atendendo a gregos e troianos. Letras sobre relacionamentos e a vida em geral dão mote a arranjos limpos como pede o conjunto da obra.
O que esperar: Saudade de Roberto Carlos e de Odair José.
Quem: Tokyo Savannah (SP)
Trio de rock reto, sem frescura. Letras em inglês e som que as vezes lembra Hives e outras bandas que passeiam pelo garageiro e pelo rock simples. Backing vocais ativos para dar um charme a mais. Podem ser a revelação, quem sabe a decepção. O release é bem “modesto”, o medo reside aí.
O que esperar: Cabeças batendo e, pela hora, algumas groupies já devem ter chegado. Como dizem eles ter um estilo elegante peculiar – e isso pode ser qualquer coisa – as mais saidinhas podem ensaiar uma paquera com os cabeludos cacheados.
Quem: Hellbenders (GO)
Vindo de Goiânia, a primeira imagem é o som stoner e garage que impera por lá há anos. E ouvindo a banda isso se confirma. Primos dos Black Drawing Chalks, sobrinhos dos MQNs. Menos mal, eles assumem isso numa boa. Som pesado como pedem as influências caseiras, cheio de riffs possantes.
O que esperar: Barulho, suor, cara de mal, riffs altos e a benção de tio Fabrício Nobre antes de entrar no palco.
Quem: Venice Under Water (RN)
Banda natalense que já sofreu algumas alterações na formação e no som. O último disco – Friend um álbum com oito faixas e capa com fotos medonhas dos amigos – é o melhor trabalho até agora. Parece que a banda com cada formação se acerta mais. Mesmo assim divide opinões dos frequentadores da noite natalense, mesmo que muitos só assumam que não gostam com rosto oculto e voz distorcida, tipo programa de proteção à testemunha.
O que esperar: Tatuagens saindo pelas beiradas, guitarras ora melódicas, ora pesadas. Letras em inglês e a sensação de que ainda pode melhorar. Força galera.
Quem: Satan Dealers (ARG)
Vinda da Argentina, e com mais de dez anos de carreira, vem pra agradar em cheio quem não gosta de rock pesado, mas gosta de um rock mais pop. Lembram as The Donnas? Pois bem, o som é na medida entre o pesado e o pop. Apesar deles beberem da fonte do hard rock, punk e até garage (mais uma), misturam os elementos bem a ponto de não ficarem tão evidentes as influências.
O que esperar: Dá pra dar um cheiro na(o) namorada(o), tomar uma cerveja, bater foto pra pôr no facebook e ainda curtir o show.
Quem: Gloom (GO)
Mais uma de Goiânia, mas não tem nada a ver com rock pesado, feio, sujo e fedorento. Pelo naipe dos jovens eles tomam banho diariamente e usam roupas limpinhas. Um pé nos Los Hermanos outro no Movéis Coloniais de Acaju (letras em português e metais não deixam dúvida), com o adendo do vocal belo e doce de Niela.
O que esperar: Os órfãos dos Los Hermanos achando seus novos ícones, derramando lágrimas lembrando que o sonho não acabou. Lá se vai a esperança que o setor II da UFRN se tornasse um lugar habitável.
Quem: Vivendo do Ócio (BA)
Quarteto baiano que faz um rock simples e eficiente, bom pra dançar, bom pra beber, bom pra apenas observar. Já rodaram por vários festivais e trazem a Natal músicas que falam de bebida, mulheres e amor. Não nessa ordem, tudo junto. Lembrou do Rock Rocket? Mais ou menos, com uma pegada mais Strokes. Com o aval da Deck Disc as músicas ficaram mais lapidadas.
O que esperar: Boa presença de palco para deixar as fãs mais crescidinhas do Restart e afins em polvorosa.
Quem: Rinoceronte (RS)
Trio gaúcho de Santa Maria. Mais uma banda que gosta do stoner, do garage, do psicodélico. Som que passeia entre o vigoroso e o viajoso. Também já tocaram por vários festivais independentes. Tem um EP lançado em 2009 e o álbum está previsto para novembro. Ana Morena manda avisar: o disco já saiu.
O que esperar: Eles dizem que as performances são quentes, vigorosas e coesas, então espere suor. E cecê.
Quem: Canastra (RJ)
A big band esteve em Natal no carnaval deste ano. Tocou para milhares de pessoas e pelo som pop e dançante com letras irreverentes, deve ter feito um bom público. Influências de surf music, country, rock, jazz e tudo que for dançante. Ao microfone e guitarra está Renato Martins, que também fez parte do Acabou La Tequila, banda dos anos 90. Som feliz pra enganar os bestas.
O que esperar: Levando em consideração que a essa altura do festival já terão se passado 6 horas, se as pernas deixarem, gente feliz dançando adoidado como se não houvesse amanhã. Mas haverá.
Quem: Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
Banda instrumental que não é surf music, não é stoner, não é psicodélica, não é merengue, nem é lambada, muito menos o Clichete com Banana. É pop-dançante. Aceita o fato e vai em frente. Já sofreu algumas mudanças na formação. A mais recente foi a saída do baterista Xandi para a entrada de Artur Porpino. É a banda dos donos do festival: Ana e Foca. Tem rodado bastante por todo Brasil e chegando até aos países hermanos. Vamos ficar por aqui, se falarmos mais alguma coisa, cortam nossa cerveja e canapés de graça.
O que esperar: Léo e seu mustache, Ana sacudindo a juba, Foca fazendo dancinha com os dedos e Kaká fazendo estátua.
Quem: DuSouto (RN)
Já foi um quinteto, há algum tempo virou trio e estabilizou. Dois discos lançados regados a sons dançantes com influência que vai do samba ao reggae. Onipresente na noite natalense: tocam em enterro de anão, em baile da terceira idade e até aniversário de um ano. Pra onde você olhar estarão eles, mais onipresentes que Deus. Quer pegar mulher? Vai no show dos caras. Muita gente se pergunta porque não vão ficar um tempo em SP.
O que esperar: Maconha, birita, samba, dub, meninas desinibidas depois que a pomba-gira baixar.
Quem: Do Amor (RJ)
Já acompanharam Nina Becker, Jonas Sá, Rubinho Jacobina e Lucas Santtana. Marcelo e Ricardo formam a Banda Cê, que vem acompanhando Caetano há 3 anos. Gabriel Bubu foi baixista do Los Hermanos. Ou seja, não falta experiência quando eles resolvem misturar Carimbó com rock. Uns adoram, outros odeiam, mas todos vão dançar. Como diria Jorge Ben Jor: “tem que dançar dançando”. Se é que vocês entendem.
O que esperar: Descontração. Rock. Carimbó. Guitarras pesadas e dançantes. Dor lombar no dia seguinte depois de tentar dançar a dois, graças ao sedentarismo de anos.
Quem: Tulipa Ruiz (SP)
Tulipa vem se destacando desde 2010 abrangendo um público bem diversificado com um som pop, doce. Letras românticas e o som delicado produzido com a ajuda do pai e do irmão. Recentemente esteve nos EUA e tem tocado por todo o Brasil. Ideal pra quem gosta de Marcelo jeneci, Nina Becker, Bárbara Eugênia e toda essa nova safra de artistas/autistas pops brasileiros. Depois da sequência de quatro bandas mais dançantes, Tulipa é pra relaxar.
O que esperar: Letras cantadas por todos, gente emocionada, casais de todas as matizes cometendo juras de amor e cotovelos doendo.
Quem: Talma & Gadelha (RN)
Apesar do nome, é um quinteto. A linha de frente é a dupla, mas a base é formada por músicos que tocam em outras bandas de Natal. A banda, as músicas e o disco é fruto de dois meses e meio de trabalho. E o hype ainda não acabou, como muitos previram e torceram. Estiveram em São Paulo recentemente fazendo shows e também farão pelo Nordeste em breve. Escalados na hora certa para provar que são a Banda Mais Bonita da Cidade, de Natal.
O que esperar: Como a cada dia que passa a banda fica mais bonita, músicas cantadas em coro e muitos amigos se passando a beira do palco.
Quem: B Negão & Seletores de Frequência (RJ)
Responsável por um belo disco após o fim do Planet Hemp, B Negão faz do tão aguardado segundo álbum o Chinese Democracy brasileiro. Enquanto isso ainda toca o terror com o Turbo Trio. Apesar da banda ser bastante conhecida pelo país e fora dele, o mais perto que chegou de Natal foi João Pessoa, onde fez um show digno de baile black. Quase todo dançante, a não ser quando ataca com rocks como “A Verdadeira Dança do Patinho”.
O que esperar: Quem aguentou até agora, vai dançar e bater cabeça. Até porque com mais um gole e mais um tapa na pantera, o pescoço e as pernas ficam mais leves.
a cada ano vocês ficam mais chatos e ranzinzas, heim?! muito bom, bixo!
maravilha.
Último trabalho do Venice foi um disco com 8 faixas lançado em setembro: http://www.dosol.com.br/cds-virtuais/venice-rn-friend/
Isso mesmo, viagem. O que tem Rafaum lindo que só na capa. Corrigido.
Com esse texto bem estimulante e ainda mais as bandas dá vontade de nem ir
AHAHAHAHA, Hugo, tu é chato, mas ficou MUITO DIVERTIDO.
Kaká riu demais o com “fazendo estátua”, mas vc parece que não é conhecedor do mais puro style roquístico da nossa kaká johnny ramone. Tá? Deixa ela.
E o “muitos amigos se passando a beira do palco.” Eu me identifiquei NA HORA! ahahahahahahah
Tô me abrindo aqui com todos os “o que esperar”. Tu continua chato, apenas um pouco mais bem humorado.
Ah, e o Rinoceronte tb já lançou o CD novo deles.
Festival Dosol sem o quem é quem do Inimigo não tem a mesma graça. Uma onda esse texto de vocês, seu malhadores. Hehehe.
tunico, tu não entendeu muito bem…
Rapaz, ehehehe. Não vai ter boca livre para vcs não, tão tudo de castigo!
Boa cara…
esse sabado vai ser massa…
Faz tempo q quero ir num show da Tulipa…
vamulá
Gostei de todos os comentários, sobre as bandas. E pegue diversificação musical nesse dia.
faltou o comentário da Cabruera!!!
parece que bebe…
chinchoso
O cara loiro do Gloom é o mesmo da Banda Uó?
Pior que parece. hahai
Massa demais o texto, e a sacada de “O que esperar”, dá um ar mais leve ao que poderia ser pesado, na apresentação.
Orgulho de você, rapá!
Vou perder todos os shows, mas… let’s rock!
\,,/
muito bom o texto!toco no sonso e tamo na vibração pra chegar sábado! parabéns e vai se lascar!rsrsrrsr abraço!
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