São seis minutos exatamente o que duram as seis músicas somadas do split que a Lei do Cão irá lançar com a banda húngara Crippled Fox. A banda é mais uma de Mossoró. Cidade que tem sido nos últimos anos reveladora das melhores bandas de rock do RN. E que compram a briga do Do It Yourself com afinco, chegando a tocar no Sudeste, Centro Oeste e Nordeste. Em tours que geram satisfação, reconhecimento, mas quase nenhuma compensação financeira. Outra característica das bandas é um contato próximo com bandas européias, que termina por viabilizar discos. De Mossoró vem a Lei do Cão, liderada por Phillipe Oliveira (vocal e guitarra) e Fernando Lima (vocal e baixo). Em vias de tocar fora do RN, problemas internos adiaram os shows. Mas Phillipe deixa claro que a banda muito em breve está de volta e com mais força.
Leia entrevista abaixo com ele.
Pra começar fale sobre a parceria com a banda húngara Crippled Fox que resultou em um split. Como surgiu a oportunidade e como fluiu o processo de parceria. Por qual selo irá sair, como será a distribuição, custos… E do outro Split também.
Eu costumo dizer que nós fazemos jus ao titulo de uma música nossa, “Relapso”. Esse adjetivo não se encaixa só dentro dos nossos empregos, mas também dentro da própria banda. Somos um pouco preguiçosos quando se trata de trabalho em prol da banda, contatos, merchandising, essas coisas. Isso vai queimar o nosso filme total. (risos) Mas enfim, os húngaros nos descobriram através do myspace, enviaram-nos uma mensagem já com a proposta de lançar um split em vinil e nós claro topamos de cara. A Crippled Fox tem vários splits lançados com outras bandas, acho que eles já pegaram a manhã de lançar discos. Eles têm vários contatos com selos ao redor do mundo. Um dos selos que vai entrar no split é de um dos Fox, o outro é de um cara da Califórnia, a Suburban White Thrash Records. E o outro é um antigo selo meu com Aninho, Hiroshima Recs, que também lançou o CD debut do Cätärro. Os vinis vão ser prensados na Califórnia. Serão 500 cópias distribuídas nos EUA, Europa e Brasil. Nós por enquanto vamos pegar 100 dessas cópias, portanto até a última instância esse número é limitado. Com o outro split foi da mesma forma, na real recebemos convite de várias bandas do brasil, ficamos até meio receiosos por que no final tinhamos que escolher um dos vários convites. Acabamos por escolher o Viollent Illusion que já estava com material pronto e parecia estar em uma sintonia boa com a gente. Esse split com eles vai sair em um esquema mais simples, total DIY, cdzinho silkado e arte feita por nós mesmos e deve estar saindo até o meio do ano.
Fale do processo de produção do disco. Quanto tempo durou, onde foi gravado.
Bom, nós fizemos a captação no Estúdio Voz, em Natal, com os caras do Calistoga: Dante e Henrique. E a mixagem ficou a cargo do nosso amigo de Aracaju, Alex Souza. Ex-Triste Fim de Rosilene e xReverx. Confiamos muito no trabalho dele. Que também fez a mixagem da nossa demo. Nós fizemos a captação em 6 horas, no total de 11 músicas e a mixagem durou cerca de um mês. O processo de mixagem demorou um pouco mais por ser feito contato através de e-mails. Enviávamos um e-mail com a idéia de mudança e tínhamos que aguardar algum tempo até Alex enviar de volta com o resultado. É um processo complicado e um tanto demorado. Mas o resultado foi muito satisfatório, valeu muito a pena a demora.
Como anda a cena mossoroense? Pelo que vi ultimamente algumas bandas tem produzido bastante. Alguma que vocês indicam?
Ao meu ver a música independente de Mossoró nunca esteve em uma fase melhor. Aparentemente as bandas se empolgaram com a estrutura que o Quintura trouxe pra cá, tanto no sentido de ter onde tocar, como o estúdio de ensaios, que até antes não havia nenhum na cidade. As bandas hoje pensam bem mais em gravar, ter uma gravação de qualidade, possivelmente fazer uma tour e tudo mais. Disso tudo tem saído bandas com um grande potencial. Isso na minha mísera maneira de observar o todo. Antes as coisas aconteciam sim, algumas bandas conseguiam ir mais além, mas com bastante esforço, hoje eu vejo que o bar dá um certo suporte as bandas. Vou citar algumas bandas que eu particularmente gosto muito. Tem uma banda nova que está rolando e não gravou ainda, a Warburst Command (Death Metal Old School no melhor estilo Hellhammer). Eu fico falando dessa banda pra todo mundo, a toda hora dizendo que em breve eles vão dominar o mundo. (risos) O Cemitério de Elephantes é uma banda com muito espírito. A Red Boots é outra que eu pago pau há um bom tempo e se eles se empenhassem um pouquinho mais teriam seu merecido lugar na música independente. Admiro bastante essa nova fase do Leões de Minerva, a maneira que eles estão se dedicando e empenhados a colocar a banda pra frente. Sem contar o Mahatma Gangue que acabou de lançar CD-debut agora e o Monster Coyote (antigo Pumping Engines) em nova fase e com músicas novas. Mossoró é a nova Estocolmo do Brasil. (risos)
A banda tem um pé em 3 estilos dentro do rock, mas as músicas não ficam tão distintas. Como adequar essas diferenças pra soar natural? Há uma preocupação na hora de compor?
Na verdade nenhuma preocupação! As músicas vão fluindo naturalmente na hora de compor e no fundo deve vir do inconsciente sim essa junção que você percebeu. Afinal escutamos um bocado de coisa hoje em dia. Mas atualmente é totalmente despretensioso. Antes não, realmente tínhamos uma certa preocupação em ter uma semelhança com as nossas referências, afinal nós nos definíamos como uma banda Thrash/Crossover. Hoje eu acredito que essa barreira foi quebrada e nos sentimos bem confortáveis com a sonoridade da banda e o que ainda está por vir.
Vocês iam tocar em breve fora de Mossoró. Mas aconteceram algumas mudanças na banda. Como estão as expectativas para mostrar esse novo trabalho? Pretensão de irem ao Sudeste novamente?
Que bom que está pergunta ficou por último. (risos) Confesso que estava com um pouco de receio para respondê-la. Mas enfim, nós acabamos furando em João Pessoa, por motivos internos da banda. Então eu só preciso dizer que a banda não vai acabar, nem parar. Pelo contrário, estamos empolgados com a idéia de entrar em uma nova fase, uma fase mais dedicada a banda. Independente se continue com a mesma formação ou não, essa fase vai ser crucial no sentido de produção, turnês, discos e o que vier a cerca disso. Queremos nos jogar no rolé monstro, na vida bandida, no DIY, continuar a ser relapsos engajados. (risos) E sim, queremos em breve mais uma vez descer pro sudeste e também nordeste. Vamos ficar em stand by por um curto período, mas logo que estivermos afinadinhos e com disco na mão, vamos querer tocar em todo buraco que aceitar a gente.
Baixe o lado Lei do Cão, do split, aqui.
[...] entrevista com Phillipe [...]
Ahh, muito boa a entrevista!
:D
[...] leia o resto aqui [...]
massa!fui pra um show deles os kra sao foda!
entrevista legal!
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